Entre a guitarra e o baixo dos irmãos Stuart e Philip Moxham, definiu-se a mais austera secção rítmica do pós-punk. Inspirados por arte clássica, procuravam intuir “tense vitality and geometric structuring”, como explicavam na contracapa de um single. Acrescente-se uma caseira caixa de ritmos e um judicioso teclado e ter-se-á uma ideia do cenário que envolvia a verdadeira protagonista: Alison Staton. Há aqui muito de bossa nova, incluindo uma certa relutância da cantora em fazer transparecer mais emoção do que aquela que as palavras pedem. Mas a acção passa-se em Gales e não em Copacabana, num clima pior para os ossos mas mais contemplativo, meditativo e atmosférico. Mas como fazia João Gilberto ao violão, também Stuart Moxham convence o ouvinte de que tudo nos YMG, por mais rigoroso e espectral que soe, é muito natural. Staton oscila entre a amante abandonada e a mulher aborrecida. Mas nunca cede à melancolia, como a narradora de “Eating Noddemix” que se maquilha, absorta, no meio de uma catástrofe (“As the people are running, the highrise starts to fall, while she neatly whipes her lips”), numa linha vocal desenvolvida por Tracey Thorn nos Everything But The Girl, banda por onde iria passar Philip após colaborar com Stuart nos Gist. Mas Colossal Youth não teve continuação. Alison Staton reuniu os Weekend para assumir influências subequatoriais – como fez Poly Styrene saída dos X-Ray Spex – que aqui eram apenas insinuadas. E mais de um quarto de século depois, o álbum permanece teimosa e inequivocamente privado.
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