Ainda hoje se encontram dezenas de fóruns em que se discute febrilmente o possível significado da palavra “Khatru”, do tema dos Yes. Parece que ainda ninguém chegou a uma conclusão definitiva, mas o interesse prova duas coisas: primeiro, que Close To The Edge continua a ser ouvido mais de trinta anos depois do seu lançamento e, segundo, que quem agora descobre o LP fica fascinado não só pela música mas igualmente pelo universo criado pelas letras de Jon Anderson. Uns acreditam que a sua dimensão mística e cósmica está relacionada com Shakespeare, outros com obras de Hesse (Siddhartha), Tolkien ou Asimov. Composto por três temas, o quinto álbum dos Yes é para muitos o registo definitivo do rock progressivo. Apesar das dezenas de cortes editoriais em cada faixa, nunca soa constrangido ou artificial – Steve Howe deixa a guitarra seguir os territórios do jazz e Bill Bruford tem uma das baterias mais características do género, mas Close To The Edge evita um registo demasiado erudito. Entre as letras crípticas de Anderson e os teclados de Rick Wakeman, está criada uma atmosfera envolvente, sempre sugestiva de viagem – de um astronauta ou de um xamã. “And You And I” é o culminar das intenções dos Yes: rock que tanto toca no Espaço quanto nas asas de uma ave mágica. Há quem acredite que o sentido da vida está escondido algures nas letras, mesmo se o grupo jura que foi tudo ao calhas – se calhar também não perceberam.
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