Quando se soube que os XTC iam ser produzidos por Todd Rundgren, muitos fãs anteciparam um casamento perfeito entre a banda e o músico e produtor de Patti Smith, New York Dolls, Meatloaf ou Cheap Trick – afinal os XTC tinham começado a carreira envolvidos no fascínio pela cena punk nova-iorquina e não eram propriamente avessos a tendências grandiloquentes. Mas o que se seguiu foi o que o Behind The Music do VH1 apelidaria de duelo de titãs. Quando a banda chegou ao estúdio, em Woodstock, deu com um horário de escola afixado pelo autor de “Hello, It’s Me”. Como Andy Partrigde tinha um certo problema com a autoridade, foi categoricamente rejeitando as misturas até o produtor bater com a porta. Mais tarde acabou por confessar que Skylarking afinal até nem estava assim tão mau – talvez o facto de a crítica por ele se ter apaixonado (a expressão obra-prima foi repetida) tenha contribuído para a mudança de opiniões. O gosto de Rundgren pelo melodismo dos Beatles ou Beach Boys assenta perfeitamente neste conjunto de canções sobre os ciclos da Natureza e da vida humana. Da relutância em nascer (em “Summer Cauldron”) às primeiras paixões e corações partidos (“That’s Really Super, Super Girl” e “1000 Umbrellas”), ou do casamento (“Big Day”) ao envelhecimento (“The Man Who Sailed Around His Soul”) e morte (“Dying”), tudo aqui é arejado e leve como num piquenique sobre a relva. Se Donovan tivesse começado a carreira nos Go-Betweens, podia ter produzido este disco.
E se as ondas hertzia nas não tivessem sucumbido ao juju de Paul Simon, com Graceland, talvez pudesse ter sido um sucesso.
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