Na altura discutia-se se Van Dyke Parks era um génio absoluto ou pouco mais que um descartável pretensioso. Com 25 anos, foi um ecléctico quadrado de influências no buraco redondo do folk-rock psicadélico. Já se sabia que a sua parceria com Brian Wilson não tinha produzido o tão esperado magnum opus do surf-pop, Smile, mas ainda ninguém suspeitava do colapso mental do líder dos Beach Boys. No rescaldo, escrevia Lillian Roxon na pioneira Rock Encyclopedia que, desde a colaboração, “everybody’s been afraid to put him down in case he turns out to be the genius of the century”. Pelo menos é um deles, e, demonstra-o logo ao primeiro LP. Na veia de Randy Newman ou Davis Ackles, era ainda um acutilante e satírico observador, e em “Laurel Canyon Blvd”, ao cantar sobre o bairro onde viviam Crosby, Stills, Nash, Jim Morrison ou Joni Mitchell, pressagiava: “what is up the canyon will even eventually come down”. Song Cycle viaja desde a música de Copland e Ives ao cancioneiro americano de Berlin ou Porter, desde Scott Joplin ou Jelly Roll Morton até ao calypso (que exploraria em detalhe mais tarde), sem nunca perder o bom humor do teatro musical e vaudeville. Bem podia rir-se: era possivelmente a única pessoa a utilizar vocabulário como “touseled”, “truncated”, “progenitorship” e “hapharzardly” (todas no tema “The Attic”) sem se engasgar. Parece que foi o álbum mais caro de sempre até então. E, naturalmente, o que perdeu mais dinheiro. Apropriado para quem, ao sexto tema, rebaptizava como “Van Dyke Parks” o hino que a orquestra de Titanic tocou durante o naufrágio.
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