Com a possível excepção dos X-Files (Ficheiros Secretos), a estreia dos Tindersticks foi das poucas coisas que pais e filhos puderam apreciar juntos em 93 – isto é, pais educados num regime de chanson e Leonard Cohen e filhos com prematura fixação em Smiths ou Nick Cave. E dos Asphalt Ribbons ao que produziriam no segundo álbum – antes do impasse criativo, indecisos entre o Tim Hardin de Suite For Susan Moore… e qualquer produção Hi ou Stax/Volt de inícios de 70 –, os Tindersticks foram únicos. Numa manta embebida na música romântica europeia, no funcionalismo instrumental da library music e pelo mais sacramental e psicadélico de Morricone, Tindersticks é um cinematográfico retrato de uma Europa em decadência. E com fundo em cortinas de veludo e talha dourada ou bafienta decoração de lantejoulas, véus de seda e grinaldas de antigas produções, chegaram canções de amor com as quais já ninguém contava: e entre “I can’t sleep in this bed anymore it’s like a padded cell” e “See, what we got here is a tired love… a lazy love”, repetiam qualquer conversa de café.
Para comentar este artista é preciso registar-se primeiro.
Não existem comentários. Sê o primeiro a deixar um comentário.