Destrutivo, violento, pornográfico, inovador, extremista, não-musical. Podia ser a reacção ao Metal Machine Music, de Lou Reed, mas, permeáveis às declarações do grupo e a três anos de agitação, estes são os adjectivos mais repetidos nas críticas a 20 Jazz Funk Greats. A fabulosa e bucólica capa, o dispersivo título e o nome dos temas são só mais um episódio de terrorismo cultural de quem usava pornografia e símbolos nazis em espectáculos – e seria engraçado assistir à reacção de quem pensasse ter em mãos uma espécie de Carpenters britânicos. Mas não era caso para tanto. Genesis P-Orridge, Cosey Fanni Tutti, Chris Carter e Peter Chistopherson limitavam-se a dizer aquilo que todos os outros eram acusados de gravar subliminarmente. E numa época em que o sampling era praticamente tecnologia espacial, produziram os fundamentos de um som que viria a ser copiado inúmeras vezes pela década seguinte: qualquer referência a electro ou industrial terá aqui parte da sua história. Os Throbbing Gristle tiveram ainda o mérito de ser bem mais chocantes que os Sex
Pistols. Enquanto que os últimos nunca se viram livres de uma imagem e discurso manipulados, P-Orridge – hoje um venerado pandrógino – era o equivalente real a um ntelectual raivoso: qualquer discussão retórica seria sempre ganha com facilidade, tudo estava sujeito à mais incisiva das críticas e não haviam assuntos tabus. Se no punk se dizia que bastava tocar-se três acordes para se formar uma banda, P-Orridge recusou-se a
aprender um sequer. Para si, a revolução nunca foi radical o suficiente.
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