Antes de mais, sim, está mal escrito; era suposto ser “Odyssey”. Mas, afinal de contas, é um disco psicadélico, e talvez os Zombies tenham a agradecer à dislexia do artista gráfico, nesta que é uma das obras mais iconográficas e, paradoxalmente, menos reconhecidas do psicadelismo. Foram o primeiro grupo a pisar os estúdios em Abbey Road depois de os Beatles de lá terem saído com Sgt. Pepper’s…, e aproveitaram o gravador de quatro faixas deixado para trás. Odessey And Oracle mereceu, pelo menos, metade da atenção, mas ninguém se lembrou de o promover, ficando os críticos a bradar aos ventos. O grupo não ficou surpreendido. Afinal, já não tinham um êxito desde 64, com “She’s Not There”, que deles tinha feito efémeras estrelas nos EUA, e cujo órgão deve ter inspirado Ray Manzarek – senão, copiou bem. Depois de meses e meses de digressões, sentiram que talvez estivesse na altura da vénia final. Mas, já agora, porque não sair em grande? Decidiram gravar um último álbum sem restrições – Rod Argent pôde deambular pelo jazz sem problemas de consciência e o pop psicadélico sai-lhes com a naturalidade de quem toca apenas para si próprio. Depois, separaram-se. Quando dois anos mais tarde, o single “Time Of The Season” foi um inesperado sucesso, recusaram-se a reagrupar. A avaliação final sobre a falta de sucesso dos Zombies ainda não está pronta. Mas enquanto se pensa no assunto, que se ouça outra obra-prima: One Year, o álbum a solo do seu cantor, Colin Blunstone.
Para comentar este artista é preciso registar-se primeiro.
Não existem comentários. Sê o primeiro a deixar um comentário.