Os Yardbirds são uma das grandes lições morais do rock: não bastam bons músicos, é preciso um cantor marcante. Pelo grupo passaram Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page, o que só por si seria suficiente para lhes assegurar lugar na História. E apesar de Cream ou Led Zeppelin terem retrospectivamente concentrado mais atenção, convém não esquecer que, em 65, os Yardbirds eram tão populares quanto os Stones ou Beatles. O r&b era o combustível (de Howlin’ Wolf e Bo Diddley aos Isley Brothers) e Havin’ A Rave Up um passo em frente. Os Yardbirds não tinham (aliás ninguém tinha) um líder tão magnético quanto Mick Jagger nem o ar de bonecos dos meninos de Liverpool, e não há que esconder que num meio tão competitivo esse factor valeu tanto quanto a música. E é verdade que as constantes mudanças de alinhamento foram um factor de disrupção na química da banda. Mas apareciam com o rave-up: “a long, wild instrumental break, during which all of the attention was focused on guitarist Clapton”, conforme descreviam anúncios da altura. Mas ainda se estava no tempo em que quem cantava tinha toda a atenção e poucos estavam interessados em ver alguém dedilhar freneticamente durante minutos a fio. Clapton seguiu para o grupo de John Mayall e Jeff Beck guiou os restantes passarinhos para o comboio psicadélico que andava pela América. Mas este álbum ficou como um dos mais excitantes, irreverentes e corajosos de um tempo subvertido semana sim semana não.
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