Os primeiros destruidores de guitarras, baixos e kits de bateria em palco, muito antes do punk. O grupo de “My Generation”. A banda que pôs a ópera e James Brown no rock. O quarteto que tornou a bandeira inglesa num acessório de moda décadas antes das Spice Girls aparecerem aos saltos. Não há dúvida de que os Who eram súbditos de Sua Majestade. Com típico humor britânico, The Who Sell Out é o hilariante álbum conceptual que em primeiro lugar satiriza a sua própria imagem. É o som de alguém tão em controlo que até a publicidade – para não falar já nas canções – quer dominar com autoridade. Vender a revolução? Se alguém o podia fazer era o mestre de fantoches, Pete Townshend. E quando o duplo LP saiu, estava já com a cabeça e o sistema nervoso abalados pelos planos de Tommy (e o tema “Rael” anuncia já a futura direcção). Os Who, com o rock abrasivo de “I Can’t Reach You” e o pop adocicado de “Our Love Was”, relembram porque é que as bandas britânicas fizeram tremer os Beach Boys ao mesmo tempo que revelam estar sintonizados com o som de São Francisco. E é quando misturam harmonias vocais pop com psicadelismo, como em “Mary Anne” ou “I Can See For Miles”, que mais convencem. Metade ou mais da sua reputação vinha do palco – e se era impossível recriar a experiência, The Who Sell Out, que nem o tentava, tornou o fenómeno mais palpável.
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