O guitarrista dos Soft Boys, Kimberley Rew, relembra no site oficial da banda que ainda antes da gravação do primeiro álbum, A Can Of Bees, assistiu em conjunto com os outros membros do grupo ao seu único concerto punk – precisamente quando fizeram a primeira parte dos Damned. Algures entre um rock psicadélico que já não existia e um presente que não lhes parecia suficientemente aliciante, o grupo ambicionava chegar ao virtuosismo dos Steely Dan, por mais fragmentada que fosse a sua abordagem. Em Robyn Hitchcock, os Soft Boys tinham o líder indicado para um tipo de discurso incisivo e inesperado – que viria, por exemplo, a ser partilhado por Julian Cope. Filho de um escritor de ficção científica, Hitchcock não degenera, e a sua produção – quase demasiado letrada para um grupo rock (viria mais tarde a desenvolver carreiras paralelas como escritor, pintor e actor) – tanto visita o nonsense surrealista de “I left myself, now you’re the lonely one”, em “Give It To The Soft Boys”, como os turvos territórios do humor negro, com frases como “A girl can smile so sweetly though her mouth is stuffed with flies”. Embora a carreira dos Soft Boys valha por si própria, e a sua influência se tenha feito sentir em muitas outras bandas – sendo a mais famosa delas os R.E.M. – acabou por ser obscurecida pelo que Rew veio a fazer nos Katrina And The Waves e pela carreira a solo de Hitchcock (e com os Egyptians), que, como uma espécie de Lennon do pós-punk, estabeleceu-se como uma das mais excêntricas e originais personagens no concorrido livro da música britânica.
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