“Quando a Lua começa a minguar, para onde vai a parte que fica escura?” Otis Redding, Marvin Gaye ou Sam Cooke podiam passar ao largo da questão, mas fiéis discípulos do outro lado do Atlântico sucumbiam pelo peso das dúvidas existenciais. Felizmente havia LSD. Na era psicadélica, até a cultura mod britânica começava a pensar em algo mais que coordenação de cores. Os Small Faces andaram, pelo Tamisa, para baixo e para cima com guitarras e gravadores até que alguém se lembrou da história de Happiness Stan: um rapaz que se intriga olhando para a lua minguante até embarcar numa viagem em busca do sentido da vida. A resposta era simples: é preciso ir com calma que a solução pode estar à frente do nariz. Com interlúdios narrados pelo “Professor” Stanley Unwin, a segunda metade de Ogden’s Nut Gone Flake é britânica até à medula, na tradição que vai dos Hobbits aos Potter, com uma atmosfera meio Alice psicadélica meio série Carry On. Mas o Lado A propõe algo ainda mais decisivo: “Lazy Sunday”, lançado pela Immediate sem o consentimento do grupo, foi o single que mais vendeu, e resulta da excêntrica decisão de Steve Marriott em cantar r&b com o seu sotaque cockney – algo que um quarto de século mais tarde Blur ou Pulp tornariam mundano. Em partes exuberantemente orquestral, noutras mais seco que a secção rítmica de James Brown, o LP promove uma revisão do Sgt. Pepper’s… por uma banda que só por acaso não foi tão grande quanto os Beatles. E sim, foi lançado numa capa circular imitando a lata de tabaco da Ogdens. Foi também o canto do cisne. A partir daqui seria com os Faces.
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