No livrete da primeira edição de Cut em CD, Viv Albertine relembra como as Slits receberam cartas de protesto de homens na Escandinávia: parece que a sua capa estava a pôr em causa o
feminismo. A revolução do punk estava em curso, mas as raparigas aceites no clube secreto de Patti Smith ou Siouxie partilhavam de uma imagem tão intelectualizada que não era difícil esquecer o género. Mas as Slits, formadas três anos antes (depois de um concerto de Smith), não escondiam que estavam a sair a custo da adolescência: Ari Up (Arianna Forster), com apenas 17 anos, e Viv Albertine, Tessa Pollitt e Palmolive (Paloma Romera) com 24. Durante algum tempo acompanharam Clash e Buzzcocks em digressão, aprendendo a tocar os nstrumentos em palco – epítome do punk. Entre a falta de técnica e o sotaque alemão de Ari estava preparado o público para algo diferente, mas foi na escolha de produtor – o jamaicano Dennis Bovell, tal como fizeram os Pop Group – que garantiram pretexto para uma desejada incorporação de ritmos das Caraíbas. Enquanto o baixo de Pollitt e a percussão de Budgie (Palmolive juntou-se às Raincoats) têm honras de primeiro plano, falam de Shoplifting”, assumem-se “Typical Girls”, cantam o irresistível “Ping Pong Romance”, erminam com uma versão de “I Heard It Through The Grapevine”, imortalizado por Marvin Gaye, e mantêm um imaculado sentido de humor (como em “Newtown”: “Where everybody goes around sniffing televisina, or taking footbalina”). No fim, as Slits ganharam aos rapazes por nunca se terem levado demasiado a sério.
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