Para os mais cínicos, os Sex Pistols podem ser vistos como uma estratégia de promoção de Malcolm Mclaren e Vivienne Westwood que rapidamente lhes escapou ao controlo. E Johnny Rotten foi escolhido para liderar o grupo mais por usar uma T-shirt em que se lia “I hate Pink Floyd” – que encarnava perfeitamente o tom anti-hippie da loja SEX – do que por qualquer dom musical. E um ano depois de Never Mind The Bollocks… ter visto a luz do dia, abandoná-los-ia a meio da digressão norte-americana. Em 79 Sid Vicious estaria morto e os Sex Pistols acabados. Mas é este o primogénito do punk britânico – às vezes não é agradável olhar para ele e, se bem que hoje se possa argumentar que não é o mais acabado dos seus exemplos, em termos de impacto e relevância na cultura juvenil do seu tempo, irá permanecer no pódio por mais umas décadas. Numa pestífera e crua táctica de subversão alicerçada numa opinião pública em larga escala descontente com a direcção do país (entre escândalos sexuais, uma Rainha em constante passeio pelo Império e o laboral Inverno do descontentamento), “Anarchy In The UK” e “God Save The Queen” tornaram-se hinos no Reino Unido e depois no resto do mundo. Não é possível subestimar o horror e a excitação experimentada na altura por quem pela primeira vez ouvia berradas frases como “God Save the Queen cos tourists are money” ou “A cheap holiday in other’s people misery”. Velocidade, violência e confronto, tudo assente sobre os famosos três acordes de guitarra. Never Mind The Bollocks… pôs muita gente a protestar – não é o mesmo que pensar, mas é um começo.
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