Tinham construído uma transatlântica reputação com base no r&b, surgido transfigurados na resposta ao Sgt. Pepper, mergulhado no Delta para inspiração, perdido Brian Jones e celebrado o mais demoníaco impulso sexual. Agora, com ajuda de Dr. John, um Billy Preston emprestado aos Beatles e o distinto saxofone de Bobby Keys, preparavam-se para o exorcismo do seu próprio som. Entre harmónicas do Mississippi, marchas em New Orleans e guitarras de Memphis, Exile On Main Street ouve- se como uma viagem pelas raízes da música norte-americana. Até aí nada de novo – a paixão dos Stones sempre se renovou pela memória do blues. Só que o álbum marca simultaneamente o auge da demanda, e, provou-se com o tempo, a sua ruína. Paragens no gospel, no country e no rock do Sul implicam uma vertigem estilística sublinhada pela impressão de solto e desenfreado improviso – de “Rocks Off” e “Tumbling Dice” a “Torn And Frayed”. Mas a história da gravação do LP foi outra. As canções foram trabalhadas sob a batuta de um Keith Richards que, a viver em França num ex -Quartel General do exército nazi, estava também sob profunda dependência tóxica. O ambiente do Chateau Nellcôte, entre a expulsão de Gram Parsons e a chegada de William S. Burroughs, daria material para mais do que um livro sobre os excessos do rock’n’roll. Jagger, envolvido com a nova esposa no hedonismo do jet set, só gravou em Los Angeles, quando foram acrescentadas dezenas de vozes e instrumentos de apoio. Mas, como diria Galileu se tivesse escrito crítica musical: “Eppur si muove”.
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