Se o punk significou velocidade, rapidez monotemática e primitiva negação de instintos intelectuais (o que alguns críticos menos caridosos chamavam de estupidez, mas era bem mais um surreal manifesto que definia o CBGB’s como capital do surf e da vida extraterrestre), não há
dúvida de que os Ramones são a primeira banda punk. Patti Smith leu demasiada poesia francesa e Blank Generation, de Richard Hell, tem um
tema de oito minutos, o que decididamente não é punk – a faixa mais longa em The Ramones marca dois minutos e 38 segundos. Contra os
crescendos, deambulações e pretensões do rock progressivo dos Yes, Emerson, Lake & Palmer ou Pink Floyd, contra a virilidade algo insuflada
e megalómana do southern rock dos Lynyrd Skynyrd, ZZ Top e Eagles, contra os folkies que ainda não tinham concedido a derrota, contra a
História. E a favor de se fazer o que se quiser no amor (“I Wanna Be Your Boyfriend”), na escola (“Beat The Brat”) e em casa (“Now I Wanna Sniff
Some Glue”) e de virar as costas às contrariedades (“I Don’t Wanna Go Down To The Basement” e “I Don’t Wanna Walk Around With You”). A crítica política não é propriamente objectiva – e “Havana Affair” é menos uma sátira à Guerra Fria do que o abraçar da oportunidade de cantar “Baby, baby, make me a loco baby, baby make me a mambo”. Entre o rock’n’roll rebelde dos anos 50 e o rockabilly dos Cramps, entre Johnny Thunders e Iggy Pop, os Ramones criaram algo que ficaria, sem sentido de humor e até à exaustão, estilizado por incontáveis seguidores dos Velvet Underground em Nova Iorque e dos Sex Pistols em Londres.
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