Com uma ascensão tão meteórica quanto a queda, a carreira dos The Mamas And The Papas personifica o movimento hippie. Dois anos depois, estavam obsoletos – vítimas de ilusões de grandeza e abuso de substâncias. E, em última análise, do seu próprio sucesso. Chegados à Califórnia como dezenas de outros músicos do circuito folk de Nova Iorque, Cass Elliot, Michelle e John Phillips e Denny Doherty vinham com temas como “California Dreamin’” no bolso. As suas harmonias vocais faziam lembrar os Byrds, mas as vozes femininas e os elegantes arranjos de cordas estavam mais próximos de grupos femininos como as Crystals ou Ronettes. Conseguiram criar o álbum perfeito para 66: cheio de solarengas melodias pop, elegante, com optimismo e um cheirinho de revolta não-violenta. Agradava a rapazes e raparigas, de Haight Ashbury a Laurel Canyon – If You Can Believe… chegou ao número um da tabela de vendas e por lá ficou uns meses. Ancorado na escrita de John Phillips e com cuidadosa produção do guru Lou Adler, o grupo presta homenagem a Phil Spector em “Spanish Harlem”, aos Beatles com “I Call Your Name” e aos Beach Boys de “Do You Wanna Dance” (a versão original era do cantor de soul Bobby Freeman), e torna bem clara a sua ambição quando canta “I’m in with the “In” Crowd”. Entre os originais, não há dúvida da superioridade de “California Dreamin’”, mas “Monday, Monday” e “Straight Shooter” não lhe ficam atrás. Depois da morte de Doherty, no início deste ano, Michelle é agora a única sobrevivente.
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