Que Brian Wilson nunca se chegou a uma prancha de surf todos sabem. E com certeza ninguém imagina os irmãos Reid carregando longboards e molhando os caracóis na água gelada da Escócia. Mas Psychocandy é bem capaz de ser o primeiro álbum de surf gótico da história. A comprová-lo, a admiração de Jim e William Reid por Phil Spector e Wilson, bem como o facto de os temas serem compostos primeiro em guitarra acústica antes de se lhes juntar a narcótica e açucarada cobertura roubada aos Velvet Underground. Os Jesus And Mary Chain podem ter servido de inspiração a bandas como My Bloody Valentine e restante trupe shoegazer, mas aqui as melodias nunca estão longe da superfície. As letras substituem motas e velocidade por surf, Verão, raparigas e amor de forma mais ou menos aleatória, como nos próprios Beach Boys. E quando se recorre a rimas como “Running away, I got something to say; you’re in my way, so goodbye yesterday”, é melhor não ir muito longe na análise. Felizmente, produziram das canções mais sedutoras e viciosas dos anos 80, além de conseguirem
cantar coisas como “I get ahead on my motorbike, I feel so quick in my leather boots” sem se tornarem na versão masculina das Shangri-Las. Os seus defensores mais histéricos foram os críticos, em especial no NME, que, se pudessem (e se o grupo não fosse tão anti-social que ficou famoso pelos concertos de dez minutos), lhes tinham feito o que fizeram aos Strokes anos depois. Em todo o caso, Psychocandy prova que o surf é desperdiçado nos surfistas.
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