Algures no subconsciente de todos os que nasceram em 81, está guardada a imagem televisiva
(nem sempre a cores) de um Philip Oakley maquilhado, combinando o estilo de Bryan Ferry ou Bowie com o controlo dos Kraftwerk. Apesar de “Don´t You Want Me” ter ficado três semanas
no número um do top britânico, a distinção de single mais vendido do ano ficou para “Tainted Love”, dos Soft Cell. Mas entre Oakley, Joanne Catherall e Susan Ann Gayle, os Human League provaram ser mais iconográficos que Marc Bolan. O que não é uma consideração menor: afinal estamos a falar de bandas que se vestiam para fotografias de imprensa e concertos (já para não falar dos vídeos) como quem se preparava para um baile de sociedade de finais dos anos 40. A expressão facial, ou ausência dela, o olhar certo e o vestido apropriado eram tão parte da música como o processo de composição em estúdio. Se o punk tentou vender uma revolução, os pós-mo dernos da new wave preferiram apresentar uma imagem, não só com artifício. Afinal, os Human League podem ter feito o seu nome à custa do sintetizador mas a provar que eram tão perfeccionistas como uma banda de rock progressivo
Dare! conta com quatro teclistas e uma lista de equipamento assustadora. As influências
não vinham apenas do glam mas também da linha de montagem de êxitos da Motown (de Berry Gordy, outro produtor que percebia bem a importância da imagem certa). Os Human League
eram a evolução natural entre o proto-wave de Gary Numan ou Ultravox e o supra-wave-rumo-à-
-extinção dos Duran Duran, e são menos dinossauros do que dragões.
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