Que não se fale em retribuição cósmica. Porque sem ele a música não teria sido a mesma. Gram Parsons e Chris Hillman, dos Byrds, juntaram-se para prosseguir com mais determinação a Estrada do country & western. E Parsons, naturalmente, decidiu apropriar-se do nome da nova banda dos seus ex-colegas na International Submarine Band. Não fazia por mal, mas tinha aquele hábito irritante dos meninos ricos: quando via alguma coisa que queria, levava-o. Foi assim também com o iconográfico guarda-roupa, encomendado a um dos alfaiates mais famosos de Hollywood, Nudie’s, e que lhe estabeleceu a imagem de cowboy psicadélico (notem-se as folhas de marijuana bordadas no seu fato branco). As gravações deram-se por entre incontáveis mudanças no alinhamento, mas Hillman estava tão focado que obrigou o hedonista Parsons a manter-se no programa. O resultado foi simplesmente avassalador e nem por um segundo sugere falta de unidade de visão. The Gilded Palace Of Sin começa com uns “Christine’s Tune” e “Sin City”, que, seguidos de dois temas de Chips Moman e Dan Penn (os compositores do estúdio
mais famoso do country-soul, Muscle Shoals), instauram de imediato o novo modelo. Era o som do futuro. Infelizmente, ninguém o estava a ouvir. Em Los Angeles, Parsons tinha já poucos amigos (nem Keith Richards, que lhe tinha pedido emprestado umas ideias, o queria por perto). Viveu depressa de mais. Em 73, com 26 anos, morria de overdose. Foram precisos os esforços combinados de Uncle Tupelo, Lemonheads, Giant Sand, Grandaddy ou Jayhawks para se perceber o que andava a fazer.
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