Há quem odeie tanto os Eagles que está disposto a ser expulso de um táxi no meio do nada só para não ter de os ouvir. Há também quem diga que Hotel California é um dos melhores álbuns de sempre, senão o melhor. E depois há David Geffen, que ficou bilionário à custa do grupo. Não será difícil perceber quem está na posição mais invejável. Isto porque ser-se objectivo em relação a Hotel California é quase impossível – e só a distância de algumas décadas vai permitindo que os ânimos se acalmem na análise. Algumas coisas podem dizer-se com propriedade: os Eagles foram os Beach Boys dos anos 70 e levaram a nova imagem do rock de LA a todo o mundo; quem tenha menos de 35 anos e ouça a balada “Wasted Time” – com os seus arranjos de cordas e coro feminino – não pensa em Don Henley mas sim em Axl Rose; “New Kid In Town” é uma canção pop-rock-country-latina perfeita; “Victim Of Love” são os AC/DC na rotação errada e “Hotel California” é um daqueles momentos capazes de sintetizar a um tempo aquilo que vai disperso pela cabeça de uns quantos milhões de pessoas. Ponto final. Hotel California retrata a chegada a um mundo estranho de um inocente, rapidamente corrompido pela “Life In The Fast Lane” e acabando a ver os anos a passar numa vertigem de substâncias mais ou menos tóxicas. Como apenas um dos membros dos Eagles tinha nascido no estado titular, não é difícil ver o conceito como autobiográfico. O resto esteve nas vendas (astronómicas), nos Grammy (quatro no total) e num calculado regresso em meados dos anos 90.
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