Os mais inconformados com a evolução da música independente nunca os esqueceram. E antes
de My Bloody Valentine, Ride, Lush ou Galaxie 500 terem novamente relembrado que o rock
alternativo muito devia às nebulosas eléctricas dos Velvet Underground, já os Dream Syndicate o haviam feito em tempos mais adversos. Falava-se em Paisley Underground, mas é mais fácil o nome da banda surgir hoje associado – como os Opal, com os quais partilharam Kendra Smith – à genealogia dos Mazzy Star. Com grupos de origem californiana mergulhados num revivalismo do folk rock psicadélico – por oposição quer ao hardcore quer à new wave britânica e nova-iorquina –, o baptismo fazia referência ao motivo da cornucópia tão apreciado pelos hippies mas igualmente à banda apadrinhada por Andy Warhol. Só que nos Dream Syndicate reflectiam-se ainda os Byrds, Beach Boys ou Big Star. E se sempre se
suspeitou que Bob Dylan e Lou Reed não estavam assim tão longe um do outro, Steve Wynn
parecia estar disposto a prová-lo. The Days of Wine And Roses é uma doce espiral de vício –
como o homónimo filme com Jack Lemmon e Lee Remick de 62 – e muito deve a Karl Precoda,
um guitarrista capaz de evocar Jimi Hendrix ou Robert Fripp (conforme demonstrou mais tarde
nos Last Days Of May) e o único que parecia familiarizado com um outro Dream Syndicate: o de La Monte Young, Marian Zazeela, Tony Conrad ou John Cale. Como os Feelies, Replacements, Rain Parade ou o Robyn Hitchcock acústico, são um segredo que sabe bem guardar.
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