Agora que é chegada a hora do segundo juízo, o número de acólitos que quer retirar os Sex Pistols do pedestal de primeiro grupo punk britânico, para os substituir pelos Damned, aumenta quase diariamente. Os trinta anos de Damned Damned Damned a isso obrigam. Não tinham um visual tão estudado nem uma história tão dramática como os Pistols, e talvez por isso tenham ficado para trás, mas o que lhes faltava em estratégia comercial sobrava-lhes em talento. “New Rose” foi o primeiro single punk a ser lançado – e não será por coincidência que a primeira frase que nele se ouve (“Is she really going out with him?”) seja a mesma do “Leader Of The Pack” imortalizado anos antes pelas Shangri-Las. Apesar de os seus membros terem nomes de palco como Rat Scabies e um líder com imagem transilvânica (alguns não hesitam em referir-se a Dave Vanian como o primeiro gótico pós-moderno) e segunda carreira como coveiro, os Damned nunca negaram o rock’n’roll. Com muito mais em comum com os Ramones do que com os Clash ou Sex Pistols, Vanian até podia passar por americano. Apropriadamente, soam em certos temas a uns Beach Boys amnésicos e em que Dennis Wilson tivesse uma gigantesca necessidade de protagonismo. A energia parece vir mais do r&b do que do anticristo e as letras não têm nada a dizer sobre a guerra civil em Espanha, nem críticas de maior a tecer à monarquia – namoradas, sábados à noite e piadas de liceu compõem o repertório. Soa hoje tão fresco como em 77.
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