Já se sabe que no Kansas as coisas têm tendência a ficar estranhas rapidamente, por isso talvez não seja de espantar que os Blue Things, daí oriundos, sejam um dos segredos mais bem guardados dos anos 60. Existe um mundo entre São Francisco e Nova Iorque, e entre 64 e 66, os Blue Things foram os reis incontestados de uma parte dos EUA mais conhecida por furacões e planícies sem fim. Tão longe do country de Nashville quanto do blues de Chicago ou do garage de Detroit, acabaram por ser uns improváveis Beau Brummels, Byrds, Beatles ou Stooges de província – do Colorado ao Nebraska. As composições do vocalista Val Stecklein, “It Ain’t No Big Thing, Babe”, “I Can’t Have Yesterday” e “Now’s The Time”, são o tipo de country-rock que teria dado luta na rádio nacional não fosse terem sido escutadas apenas nas pradarias. Os temas “I Must Be Doing Something Wrong” e “High Life” também funcionam, e o grupo ainda encontrou tempo para a então obrigatória versão de Dylan, com “Girl From The North Country”. Como as injustiças nunca vêm só, a atenção da imprensa chegou na forma de uma peça da revista Time sobre letras pop-rock obscenas que citava “Doll House” (sobre prostituição), que por acaso tinha sido escrito pela compositora Marge Barton, cujos originais andavam Perry Cuomo e Everly Brothers a interpretar na altura. Os Blue Things ainda tentaram entrar na cena psicadélica, e algumas destas letras insinuam domínio do léxico, mas a saída de Stecklein acabou por lhes tirar fôlego. É pena.
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