Antes de se separarem durante dois anos, reinventando-se como os deuses do disco sound na década de 70, os Bee Gees gravaram Odessa. Para quem apenas os conhece pós-falsete, o duplo LP pode ser um choque: tem um conceito, ainda que nunca cumprido, centrado à volta da Guerra da Crimeia e de eventos do século XIX, indiciado pela faixa de abertura, “Edison”, por “Seven Seas Symphony” e “With All Nations (International Anthem)”; demonstra as ambições dos irmãos Gibb em “The British Opera”; e o mais bizarro é o seu eclectismo. Antes de fechar de forma orquestral, Odessa demonstra que podiam ter saído do barco da Austrália dois anos antes, mas que não deixavam por isso de estar a par de tudo: do folk-rock de “You’ll Never See My Face Again” à balada crooner “Black Diamond” ou ao southern rock de “Marley Purt Drive”, em que nem falta o banjo. Depois, há um piscar de olho ao rock progressivo e “Sound Of Love” é dos primeiros exemplos de balada sinfónica pronta a evocar imediatamente pianos de cauda e cortinas de organdi ao vento – recurso usado e abusado nos anos 80 mas aqui na forma original. “Melody Fair” serve para lembrar que os Wilson não eram os únicos irmãos a dominar as harmonias vocais. Odessa é quase um compêndio dos anos 60, mas acabou por ser um obstáculo numa corrida que, desde 67, produzia material de forma obsessiva para as tabelas de vendas britânicas. A tensão entre os dois principais compositores, Barry e Robin, acabou por ditar um hiato de material original. Mas já se sabe que permaneceram vivos.
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