Seriam coveiros, mórmons ou caixeiros-viajantes? Nada disso: eram canadianos. Logo após o mais colorido e luxuriante Verão, de 67, os sóbrios The Band (até o nome era espartano) apareceram de fato completo, chapéu e barba. Só faltava a forquilha. Enquanto Hawks tinham servido de saco de pancada nas primeiras incursões de Bob Dylan pela electricidade, mas depois do seu acidente de mota fecharam-se numa casa grande e cor-de-rosa da vila sonolenta de Woodstock. De dentro do edifício – ou melhor, da sua cave – começaram a voar notas que pareciam ecoar outros tempos. O pianista Richard Manuel e o guitarrista Robbie Robertson eram os principais compositores e Dylan ajudou em alguns temas (embora a sua pintura na capa demonstre que até para o seu talento há limite). Na ressaca dos excessos psicadélicos, a crítica abraçou de imediato o regresso às raízes que o grupo aparentava promover. Se o público foi mais desconfiado, acabou também por sentir a atracção
da “old-time music” do quinteto. De “Tears Of Rage” a “The Weight” Big Pink está povoado pelos fantasmas de saloons do velho Oeste na corrida ao ouro e de noites passadas nas montanhas apalache a fazer o ilegal “Moonshine” – metade Tom Sawyer metade Wyatt Earp com a integridade de Lincoln à mistura. O tema “Long Black Veil” é uma balada de 59 e “Chest Fever” rock do Sul como o que os Allman Brothers iriam celebrizar. Se poucos tiveram coragem para a mesma viagem no tempo antes de Big Pink chegar, os motives que o definem tornaram-se templos de peregrinação que, aos poucos, promulgaram qualquer coisa sobre a verdade da música norte-americana.
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