Steve Jobs, fundador da Apple, disse em tempos que a inovação é o que separa quem lidera de quem segue. É provável que tenha razão, mas há alturas em que faz mais sentido ficar do lado de Coco Chanel, que disse que melhor do que estar constantemente a inovar era criar clássicos. Em Bandwagonesque temos um tailleur feito à medida que, contrariamente a muitos álbuns de 91, sobreviveu com distinção ao teste do tempo: tem pouco de novo, mas assenta como uma luva em qualquer ocasião. Os Teenage Fanclub – o nome diz tudo – foram vítimas da sede de inovação de quem vira o nariz a tudo o que tem demasiadas influências explícitas. Mesmo se tinham previsto o grunge sem ninguém lhes tirar o chapéu. Mas num raro momento de distracção da crítica, chegaram a figurar em muitas listas de melhores do ano, com a sacrílega Spin a colocá-los à frente de Nirvana ou My Bloody Valentine. Só mais tarde alguém se lembrou de que, como os Byrds, Crosby Stills and Nash, Beatles e Neil Young já tinham feito do mesmo, não valia a pena bater palmas à repetição – para em 2003 a estreia dos irlandeses Thrills obrigar novamente a esquecê-lo, mas isso é outra história. Basta ouvir o álbum 16 anos depois para perceber que envelheceu sem uma sombra de desgaste e nem requer uma disposição particularmente nostálgica ou revivalista. O ensejo por enérgicas práticas da pop mais funcional, com estrutura firme, audácia orquestral ou liberdade cromática, só vem relembrar uma antiga certeza conhecida de todos os melómanos: só porque já foi feito não quer dizer que não possa ser melhorado.
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