As narradoras das histórias de Vega são raparigas de 85, mesmo quando são princesas de reinos imaginários. E, nesse contexto, a solidão é menos um acidente de percurso do que um ritual de passagem. Abstinência à parte, é como uma penitência a cumprir para se ser uma mulher a sério – uma versão feminina da crença de que o artista produz o seu melhor em períodos de sofrimento emocional. E para Suzanne Vega talvez seja verdade porque o seu talento de contadora de histórias, evocador de tribais e folclóricas reuniões de mulheres sussurrantes à volta de uma fogueira, encontra par perfeito em personagens derrotadas, resignadas e estranhamente nada amargas com a sorte que lhes calhou. A cantora, mesmo se nunca fez descer do altar Leonard Cohen, veio tornar óbvio que existia já espaço para Tracy Chapman, Tanika Tikaram, Sinead O’Connor e muitas mais, num cantinho que andava abandonado desde Joni Mitchell e Rickie Lee Jones e que Laurie Anderson havia votado à excentricidade. Um retrato do que era passar de rapariga a artista na Nova Iorque dos anos 80 não tem melhor registo: as personagens de Suzanne Vega rejeitam o amor muitas vezes, só porque podem (como em “The Queen & The Soldier”) ou porque não é perfeito (em “Some Journey”), e até alcançam uma espécie de paz interior (em “Marlene On The Wall” ou “Small Blue Thing”) através da tragédia pessoal. Fazem lembrar uma personagem de Meryl Streep que nesse mesmo ano contava no grande ecrã a sua história africana de solidão entre os homens.
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