Em meados dos anos 70, todos ouviam Bob Marley. Mas apenas os Suicide sugeriam estar a par das investigações de King Tubby. Além do
mais, são um excelente candidato a elo perdido entre o punk de Richard Hell, o pós-punk dos Joy Division e o neopsicadelismo dos Spacemen 3.
E a isso não será estranho terem como produtor Ric Ocazek, dos Cars. Martin Rev e Alan Vega eram ainda uma espécie de Silver Apples mais
crus, baseando-se apenas numa hipnótica utilização de sintetizador, caixa de ritmos e voz. Alan Vega treme de cada vez que abre a boca. Mas não como numa estilização do que faziam os vocalistas do dub. Aqui pressente-se o fim do mundo, como no mais lúgubre de Ian Curtis. E tanto soa distante e indiferente quanto íntima, frágil e vagamente ameaçadora. Num espartano regime instrumental, os Suicide são das primeiras bandas a canalizar a energia do punk para um universo de sensualidade glacial que antecipa a new wave. Vivendo mais de tensos ambientes e texturas do que do efeito psicológico de acordes numa guitarra, são uma robótica resposta nova-iorquina àquilo que em Colónia produziam os Can. Num voo nocturno em que as leis da física se submetem às da estética, inspirados por uma visão BD do metropolitano pulsar artístico, tiveram modelo em Iggy Pop para uma atitude em palco que lhes valeu vaias nas primeiras partes de espectáculos de Clash ou Elvis Costello. Como na altura escreveu o expatriado Simon Reynolds no Village Voice: mais punk do que se ser alvo do ódio dos punks não havia. O house e o drum’n’bass haveriam de os vingar.
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