Que se saiba, a caracterização “The thinking man’s Queen” nunca foi usada na descrição dos Sparks – mas, naquilo que de mais festivaleiro possuem uns e menos irónico poduzem outros, assenta-lhes que nem uma luva. Por outro lado, os irmãos Mael também podiam ser uma espécie de Gilbert & Sullivan do século XX. Algures entre um musical e um tratado filosófico sobre a sátira, inspirados pelo glam e cruzando Beatles com os Who ou a energia dos New York Dolls com a vaidade dos Roxy Music, os Sparks estavam prontos para subir ao palco caso a Broadway tivesse entretanto sido transferida para Mulholland Drive e Frank Zappa fosse Andrew Lloyd Webber. Tal como Mikado brincava mais com as percepções dos Britânicos sobre os Japoneses, as personagens públicas de Ron e Russell (por esta altura evocativas de um travesti e de um Hitler escondido em território aliado) diziam mais sobre o que chocava o público dos anos 70 do que outra coisa qualquer. Anglófilos desde a adolescência, os Sparks conseguiram tornar-se numa espécie de supra-ingleses. Espirituosos, irónicos, cultos e excêntricos. Uma opereta dançável ou glam-rock intelectual – como descrever um álbum que começa com “Zoo time is she and you time, the mammals are your favourite type and you want her tonight” para progredir até “You mentioned Kant and I was shocked; you know, where I come none of the girls have such foul tongues”? Não admira que fechassem a década a gravar com Giorgio Moroder.
Para comentar este artista é preciso registar-se primeiro.
Não existem comentários. Sê o primeiro a deixar um comentário.