Lou Barlow poderia andar às voltas com Sebadoh, Will Oldham ameaçar livrar-se do clima de repressão emocional, Jad Fair assumir a profissionalização ou Daniel Johnston diminuir as doses de medicamentos, que, desde 1988, a associação de Bill Callahan ao lo-fi era meramente circunstancial.
Apelidá-lo de country seria tão erróneo quanto definir os Royal Trux como uma banda de blues.
Com o barítono mais seco desde Lou Reed ou Arnaldo Antunes e oscilações entre a lírica amorosa de Leonard Cohen e a distância emocional de T.S. Eliot, tem num perpétuo, melancólico e contemplativo ideário de alienação e luta interior alicerçado uma produção que mais do que uma vez se deixou cegar por si própria.
Accumulation: None, a antologia de 2002, provou que os picos criativos de finais dos anos 90 eram, em parte, a revisão de tudo o que se pressentia nos diamantes em bruto dispersos pelos primeiros seis álbuns, mas insinuava que o melhor estaria para trás.
Supper foi uma resposta transbordante de autoconfiança, concentração, controlo criativo e inspiração, sem actos falhados, fetichismos inconsequentes, contenção afectiva ou a sorumbática misoginia que a tempos o assombra.
Gracioso, honesto, directo e com um imaculado sentido de responsabilidade (“When they make the movie of your life, they´re going to have to ask you to do your own stunts”, canta em “Feather By Feather”), é como um renascimento. No devocional “Driving” repete-se “And the rain washes the price off of our windshield” como um mantra.
Supper foi um acto de purificação.
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