E se de repente uma banda lhe oferece uma canção sobre Josef Mengele? Ninguém conhece o segredo do seu sucesso, mas o que é certo é que no mundo dos Slayer é, ainda hoje, como se todo o underground americano nunca tivesse acontecido.
Nunca devem ter fechado os olhos nos filmes de terror, nem quando eram pequeninos, e em Reign In Blood levam os seus ouvintes pela mão a campos de concentração e alas psiquiátricas, a testemunhar fogueiras e altares sacrificiais, conjurando epidemias tão virulentas como o ébola. Quem os acusou de satanismo não pode ter lido a letra de “Jesus Saves”, que critica a crendice (acusando: “you spend your life just kissing
ass”) e põe de parte a hipótese de o grupo participar no mítico ritual negro em que se beijava o dito do demo. Pôr as pessoas a pensar através de um bom par de estalos nem sempre funciona, e, tal como com Stephen King, a carreira dos Slayer confirma que não se anda pelo lado mais negro da criatividade sem levantar suspeitas na populaça. Sem tempo nem paciência para as estruturas mais formais de canções, como faziam por exemplo os Metallica e os Megadeth, os Slayer, com a ajuda de Rick Rubin, preferiram montar um ataque sonoro (de 29 minutos) mais próximo de uma Guerra Relâmpago, enquanto os Run-DMC, noutra frente mas com o mesmo General, avançavam com Raising Hell. Serviu para se relembrar um tempo em que esta era, de facto, a música do diabo. Quem achou pouco foi fazer a contagem decrescente com os Europe.
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