Com uma cantora a fazer de Louise Brooks do punk e uma suástica a aparecer por tudo e por nada, estava claro que os Siouxsie pertenciam à
escola de Malcolm McLaren. Mas a perspectiva – e Nico preparava-se para voltar ao mundo dos vivos para relembrar a manobra – de que o
aspecto era tão ou mais importante que atributos musicais, dissipava-se pela simultaneamente espectral e brutal presença em palco de Siouxsie
Sioux. Mais dominadora s&m do que delinquente juvenil, recriou mitos do submundo – o nome da banda homenageava o Cry Of The Banshee, com Vincent Price – a tempo de imprimir o gene gótico em Bauhaus, Alien Sex Fiend, Cure ou Cocteau Twins. Os primeiros alinhamentos da banda narram a História do punk britânico: Sid Vicious antes dos Sex Pistols, Marco Pirroni antes dos Adam & The Ants, Robert Smith emprestado, Budgie depois das Slits e depois dos Magazine. Mas para se perceber o quanto tudo dependia da vocalista, The Scream não conta com nenhum deles e não será por isso menos essencial. A sua voz aproxima-se da de Ari Up, das Slits, na sua interpretação soluçada e quase marcial. Mas a música é mais espessa e densa do que a da maioria dos grupos do seu tempo. O álbum, inspirado talvez pelo homónimo quadro, pinta uma paisagem de horror surreal em que empalação e canibalismo acabam com os Domingos de críquete e ténis, e em que um simples cigarro inspira imagens tão dolorosamente gráficas como: “catarrh rests on my chest congealed and twisted, cough it up and shift it, but I can feel my lungs colapse”.
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