Ainda não existia no wave em Nova Iorque, nem krautrock na Alemanha, mas pelos vistos já existiam raptos extraterrestres. Duas possíveis vítimas – ou, mais precisamente, escolhidos – para ouvir o som das esferas celestes e trazê-lo de volta à Terra foram Simeon e Danny Taylor, dos Silver Apples. Se os Grateful Dead pudessem voar, talvez tivessem chegado a uma galáxia próxima de Contact, segundo LP do grupo. Doze osciladores áudio e uma série de restos de outras coisas que os mais incautos confundiriam com ferro-velho tecnológico, formavam Simeon, o instrumento homónimo do seu criador; Taylor, por sua vez, estava numa bateria com cerca de 20 peças; as letras tiravam-nas de poemas oferecidos por amigos e conhecidos. E os Silver Apples estavam prontos para o seu primeiro concerto ao vivo. Quem imediatamente pense numa obscura cave tornada laboratório, está longe da verdade: incluídos num Festival, estrearam-se em frente a 30 mil pessoas. Contact aperfeiçoa a combinação oscilador electrónico/percussão, e adiciona-lhe um banjo. “You and I” é uma espécie de genérico de ficção científica para o que se
segue: uma vertigem de sons em sugestão de arranque de naves espaciais, elevadores, campainhas. Estrelas a nascer, morrer e dançar. Com toda a gama de sons que Simeon obtém (de Simeon), começa a tornar-se possível acreditar que o conjunto de peças sortidas é uma espécie de Frankenstein da música electrónica ou um Hal que quer cantar para nós. Descendência directa em Suicide, Brian Eno, Spacemen 3 ou Chrome.
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