Ninguém o referiu na altura mas, no ano da morte
de Tom Jobim, Sam Prekop tinha como primeiro
objectivo para a banda, que fundou após os óptimos
Shrimp Boat, incorporar o balanço do juju de King
Sunny Adé no canto manso da bossa nova de João
Gilberto. E a surpresa foi conseguí-lo. Com Archer
Prewitt, dos igualmente geniais Coctails, John
McEntire, dos Tortoise, e Eric Claridge, ex-Shrimp
Boat, estava também criado um improvável supergrupo
indie. As letras são mais impressionistas do
que propriamente literais e surgiam já no fim do
processo de estúdio, servindo sugestões melódicas
deixadas por práticas instrumentais dependentes
do groove como o que fazem brilhantemente
músicos de jazz quando gravam com vocalistas
de soul. Prekop, mais do que uma vez referido
como um cantor que nem fala nas suas canções
– como Lou Reed, por exemplo –, quanto
muito espreguiça-se, produz música com prática
de pintor e sempre defendeu as imperfeições dos
seus temas. Interessado em texturas, na descontextualização
de formas reconhecíveis, na discreta
sensualidade da cor, tem ainda um objectivo
por cumprir: compor um álbum electrónico inspirado
pelo Plux Quba, de Nuno Canavarro. Com os
The Sea And Cake prestes a editar novo álbum – o
seu sétimo –, é óbvio que, como Tom Zé, transformou
já em virtudes os seus defeitos, mesmo se
permanece sem óbvia descendência.
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