Com um dos seus membros ambicionando ser o Stockhausen da música popular e outro o novo Sinatra, era óbvio que a formação inicial dos Roxy Music não ia ter vida longa. For Your Pleasure era o segundo LP da banda, mas seria também o adeus de Brian Eno a Bryan Ferry. Eno disse à Melody Maker que sentia falta da coisa mais importante da sua carreira: a loucura. Enquanto o amargo Ferry diria que dois “não-músicos” por banda eram de mais. Mas como tantas vezes acontece, foi entre os opostos polares que se produziu a atracção e a vertigem do novo. Eno puxava por teclados, efeitos e sintetizadores, inspirado pelos Velvet Underground mais dinâmicos e pelo krautrock mais fervilhante, e Ferry fazia olhinhos à carreira de cantor romântico enquanto lhe cresciam os caninos. “Do The Strand” e “Editions Of You” são fruto dessa tensão. Mas – com atonais ataques do saxofone de Andy Mackay à mistura – estes são os Roxy Music mais libertos e ferozes, simultaneamente mais crus e polidos. E quando o new wave surgiu em resposta ao punk, já a notícia era antiga para quem o tinha ouvido aqui na guitarra de Phil Manzanera. Fruto de um glamour idealizado que tanto é Hollywood como Champs Elysées, persegue obsessivamente um ideal feminino de tal perfeição física (e ausência do resto), que se define entre a boneca insuflável (“In Every Dream Home A Heartache”), um andróide, ou à decotada e sub-bond-girl Valerie Leon, referida em “Beauty Queen”. Apesar de todas as diferenças, em 73 Eno e Ferry tinham já em comum viver nos anos 80.
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