A história de Richard e Mimi Fariña quebra até o mais empedernido dos corações. Tudo graças a um casal de conto de fadas melhor descrito por Lillian Roxon na sua Rock Encyclopedia, de 69: “She was Joan Baez’s little sister and as beautiful as a summer day. He was a writer, dashing and handsome, half cuban, half irish, an irresistible combination." O casal deixou apenas dois álbuns gravados (um terceiro de inéditos foi lançado dois anos após a morte de Richard) e Reflections In A Crystal Mind é o que melhor descreve o caminho que o revivalismo folk começava a tomar, aberto a instrumentos eléctricos e orgânicas secções rítmicas. Apesar da inovação, o casal soa melhor nos temas menos exuberantes: a atmosfera tradicional de “Reflections In A Crystal Wind”, “A Swallow Song” e “Children Of Darkness” mostra toda a pureza da voz de Mimi, evocativa de uma intérprete do cancioneiro da Inglaterra medieval. Richard domina “Mainline Prosperity Blues” com um tom que torna impossível esconder os tempos passados lado a lado com Dylan. Uma cítara insiste em dar a tudo um ar exótico. Pouco comum para a época, era o facto de Richard, também escritor, compor todas as canções – e tanto abraçava a crítica social ao sabor dos tempos como recriava paraísos bucólicos perversamente austeros e reflexivos. Quatro meses após o seu lançamento, durante a festa do 21.º aniversário de Mimi, pediu uma mota emprestada e sofreu um acidente fatal a pouca distância de casa. Para muitos, os anos 60 começam a ruir aqui. Mas Mimi continuou a viver o sonho até ao fim.
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