Sintomático do ambiente de desilusão nas promessas por cumprir da década de 60, I Want To See The Bright Lights Tonight é de uma beleza desoladora. Mas não são tanto as questões políticas – como o escândalo do Watergate ou os ataques terroristas do IRA – que justificam a preocupação dos recém-casados. Por aqui evocam-se antes valores associados à revolução espiritual, justiça social, progresso – à falta de melhor termo – moral e colectivamente pressentidos nesse tempo, mas jamais alcançados. E pinta-se um quadro frio e melancólico, que mais rapidamente relembra a Grã-Bretanha na Revolução Industrial do que os libertários manifestos por Richard ensaiados com os Fairport Convention. Numa fase algo bipolar da sua carreira, consegue levar o seu desespero ao ponto de inverter a metáfora do bebé junto à mãe, universalmente utilizada para representar a realização dos desejos: “Your mother works so hard to make you happy, but take a look outside the nursery door: there’s nothing at the end of the rainbow, there’s nothing to grow up for anymore”, ouve-se em “The End Of The Rainbow”. Entre isso e meditativos lamentos, desesperados clamores, narrativas de dor e angustiados estertores de quem renuncia à salvação, define-se liricamente um álbum redimido por uma permanente astúcia melódica, numa insuperável declaração de resistência artística. O casal haveria de caminhar para oriente e encontrar a paz, mas o caminho fez-se a custo.
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