Tal como os Doors ou os Eagles, os Red Hot Chili Peppers ficarão para sempre ligados a Los Angeles. Em nenhuma outra cidade norte-americana coabitam tão bem (ou mal) o lado mais mágico e surrealista da imaginação com a mais dura dimensão da dependência e falhanço: quase o paradigma para a inspiração das bandas que aí arriscaram a sua sorte. No início dos anos 80, Kiedis, Balzary (Flea) e Slovak estavam rodeados por uma das cenas musicais mais vibrantes do país. E entre o punk dos Black Flag e Minutemen e o hedonismo sugerido pelo hair metal satélite dos Mötley Crüe, surgiu uma inesperada terceira via através da titular figura do p-funk, George Clinton. Sem muitos darem conta, os Peppers transformaram-se na versão moderna de Sly & The Family Stone, em concertos em que tanto recorriam a músicos dos Dead Kennedys como dos Parliament, combinando dimensão física e devaneios espirituais num percurso lento e cheio de erros forçados. A fama chegou em 89, já com Frusciante e Smith na banda, com Mother’s Milk, versão de Stevie Wonder incluída. Mas foi 91 que os viu alcançar o estatuto de intocáveis do rock. Para muitos contou a produção de Rick Rubin – que os situou entre Primus e Buckethead –, mas não se pode subestimar uma MTV que colocou “Give It Away” e “Under The Bridge” em maníaca rotação. Kiedis, enquanto letrista, sofre de uma certa fixação com a vertente mais carnal da existência, mas quando pelo meio refere nomes como Louis Armstrong, Bob Marley, Roberta Flack, Count Basie, Twain, Capote ou Bukowski, não há como levar a mal.
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