Como vai o mundo: política e música andam tão confundidas que tiveram de ser as tradicionais raparigas do country a reconhecer que tinham vergonha do Presidente dos EUA enquanto os subversivos Strokes retiravam da edição norte-americana de Is This It o tema “New York City Cops”, porque ai de quem criticasse a autoridade no pós-11 de Setembro. Comparando, parece um conto infantil contra a tirania oriundo de uma galáxia distante mas o que é certo é que, sim, existiram quatro rapazes que se opuseram às forças do mal e chamaram racista à polícia, ignorantes aos políticos e burros aos professores. Os Rage Against The Machine foram polémicos em 92, mas são hoje mais difíceis de engolir para um país especialista em resolver os problemas de classe e etnia gerando outros maiores. E não será por outro motivo que eis que se anuncia o seu regresso ao mundo dos vivos. Tudo porque houve já um tempo em que um álbum foi à boleia da mensagem “Killing in the Name Of” e em que hip hop, funk e heavy metal eram arremessos de um David contra Golias momentaneamente personificado em Zack De La Rocha. Enquanto os House of Pain aumentavam as vendas com o inane “Jump Around”, os Rage já tinham uma filosofia pronta: “We settle for nothing now, and we’ll settle for nothing later”. O nacionalismo negro foi o ponto de partida, mas é ingénuo pensar que os ouvintes estivessem familiarizados com Huey P. Newton ou com a história da capa, mas e depois? Não é igualmente importante desejar gritar “Fuck you – I won’t do what they tell me” com umas centenas de pessoas? Até que enfim que voltaram.
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