As grandes vozes têm normalmente legiões de imitadores – e Sinatra, Elvis ou Michael Jackson permaneceram instantaneamente reconhecíveis quão mais avassaladora era a sua presença nos media. Depois há Michael Stipe, hoje tão facilmente identificável quanto qualquer um deles, mas ainda assim inspirando poucos seguidores. E esse factor de originalidade foi o que manteve os R.E.M. à tona nos circuitos alternativos norte-americanos da década de 80 – à medida que Camper Van Beethoven, Dream Syndicate, Replacements ou Feelies desvaneciam por cada ano que passava – até ao momento em que Out Of Time os tornou mais famosos que Bon Jovi, U2 ou Mettalica juntos. E se uma sempre badalada ética foi opção ou consequência da falta de sucesso, fica para o saco de perguntas retóricas. O que é certo é que, liderado por Stipe, o quarteto foi o mais hábil manipulador do vídeo depois de Madonna, ainda que em vez de sexualidade prometesse algo mais erótico para o público do seu tempo: a restauração da integridade. Após a chuva de prémios e multiplatinados galardões, Buck, Mills, Berry e Stipe ficaram algo deprimidos. Automatic For The People (que ganhou estatuto mítico ao, alegadamente, ter sido o último disco que Kurt Cobain ouviu) podia ter sido tão sério quanto Andy Kaufman, e ainda que a fluidez e ritmo naturais dos seus temas (em “Drive”, “Everybody Hurts” ou “Nightswimming”) o tornassem equivalente à vida que a maioria dos seus ouvintes levava, a sua sóbria melancolia ficou como um inegável certificado de autenticidade e insuperável mensagem em 15 anos.
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