A influência dos Roxy Music na cena musical britânica
é tal que ciclicamente regressa às páginas
dos jornais. Entre isso e as seis características
que Mike Alway destacou na identidade do “britânico”
(snobismo, excentricidade, amadorismo,
voluntarismo, bom desportivismo e uma espécie
de infantilidade eterna) define-se a banda de
Jarvis Cocker. Alinhados com os Saint Etienne,
Belle & Sebastian, Divine Comedy ou Tindersticks
– mais ideologicamente do que de outra forma qualquer
–, os Pulp antecederam-nos a todos e até comparados
com os Guided By Voices ou Flaming Lips
estiveram mais tempo no esquecimento. Foram
precisos mais de 10 anos até His ‘n’ Hers, com
“Babies”, corrigir a desatenção. Different Class tornou-
a imperdoável. Nem Lawrence Hayward (Felt)
combinou sensualidade e intelectualidade da
mesma maneira, nem David Bowie parecia ter
tanto engenho a revelar as máscaras da pop
moderna. Tiveram com “Common People” o seu
“We Are The Champions”, sem confundir pose
demagógica – nesse aspecto mais argutos do
+
que os Oasis ou os Blur – com genuína compreensão
pela luta de classes; “Sing along with
the common people, sing along and it might just
get you thru’, laugh along with the common people,
laugh along even though they’re laughing at
you” não podia ter sido um tiro mais certeiro.
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