Os Pop Group foram uma estranha combinação na vaga de punk britânico. Além de que eram simultaneamente mais sofisticados e ingénuos
que os seus contemporâneos. E com influências musicais mais abrangentes e eclécticas do que as dos colegas de movimento: da vanguarda alemã ao jazz de Cecil Taylor, de John Cage à música dos emigrantes das Caraíbas. Ou melhor: os Pop Group podiam nunca ter pegado em instrumentos, mas tinham muitas ideias sobre o tipo de sons que lhes podiam arrancar. E foi tudo ao lugar quando começaram a gravar Y com Dennis Bovell. Em retrospectiva, a crítica social no álbum é inocente ao ponto de se começar a olhar para “Anarchy In The UK” como um viável programa político. Com uma visão do mundo adquirida num seminário incompleto de Antropologia, o grupo de Gareth Sanger parecia acreditar que o mundo ocidental era moralmente corrupto e que as sociedades tradicionais eram o último reduto do “bom selvagem” associado a Rousseau. Em “She Is Beyond Good And Evil” – referência ao livro de Nietzsche – ouve-se: “Western values mean nothing to her”. Em “Blood Money” é gritada a fácil dicotomia “mercenary missionary”. Se o manifesto de Y foi tão boa ideia quanto a viagem de Allie Fox em Mosquito Coast (A Costa do Mosquito), o testemunho musical, esse, aguenta perfeitamente o peso de (quase) trinta anos. Tão cruel, violento,
difícil e inventivo como um grupo de rapazes de escola britânicos abandonados à sua sorte numa ilha. Seja como for, um álbum mais tarde reconheceriam que faziam parte de um sistema como outro qualquer.
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