Nem todos, talvez pela magnética presença de Sylvester Stallone no ecrã, terão reconhecido Tom Waits como o pianista de um duvidoso bar de Paradise Alley, em 1978. Mas menos ainda terão notado nas semelhantes funções desempenhadas por Liam Hayes (Plush) em High Fidelity, de 2000. Culpe-se neste caso John Cusack, e esclareça-se que, embora de menção irresistível, o “sing us a song, you’re the piano man, sing us a song tonight” do “Piano Man” de Billy Joel não é de todo para aqui chamado.
Hayes, colaborador de Will Oldham em Viva Last Blues e no luminoso Hope, é demasiado delicado – quase feminino – para tanta festa, e nessa perspectiva aproxima-se antes da Carole King de Tapestry ou da Roberta Flack de Killing Me Softly.
Mas mais do que um derivativo pastiche à moda de John Howard, More You Becomes You terá antes paralelo com os momentos (como em Make It Easy On Yourself ou Living Together) em que Burt Bacharach se acompanha a si próprio ao piano, com uns pós dos mais judiciosos instantes do John Lennon e Elton John de inícios da década de 70.
Mas em vez de tombar perante o peso da responsabilidade, vai de encontro àquilo que só o fundo da consciência dos cínicos poderá, neste encadeamento de escrita de canções intemporal, imaginar, e corresponde com meia hora de engenho e fantasia para a qual muitos – Rufus Wainwright que nos perdoe – haviam já perdido a esperança.
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