Para os milhares de pessoas que assistiram à digressão por estádios de basebol dos Crosby, Stills, Nash & Young, e se tinham deliciado com as suas harmonias vocais, virtuosismo instrumental e fantasiosos arranjos, o Neil Young de After The Gold Rush e Harvest era uma espécie de arcanjo do folk mais melodioso e nostálgico, equilibrado entre um assoberbado sinfonismo e uma prudente exploração das raízes musicais norte-americanas. Ninguém estava preparado para que, em 73, uma série de concertos (imortalizados em Time Fades Away) revelasse um acto de expiação, exorcismo e raiva. Ainda menos esperariam o lúgubre Tonight’s The Night (rejeitado pela editora e adiado para 75) e este On The Beach. Só mais tarde aclamado pela crítica, o álbum foi então descartado como evasivo, incoerente e depressivo. A espartana produção e confessional registo que o dominam não convenceram os fãs. Nem as letras: entre a profunda amargura, a recordação de amigos caídos em desgraça e um mal disfarçado desprezo pela vida dos ricos e famosos do folk-rock, faz cair o pano num idílio pastoral mil vezes encenado mas raramente vivido (exemplificado na letra de “Revolution Blues”: “I hear Laurel Canyon is full of famous stars, but I hate them worse than lepers”). No fundo, era um aviso a “those people who think they got it made” (cantados em “Motion Pictures”): Young, com a ajuda de David Crosby e membros dos Band, estava a ajustar contas com o passado e a preparar-se para regressar à vida.
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