Algures para o fim de “Time Zones”, uma voz explica: “There’s two things you don’t talk about: one’s politics, the other’s religion”. Felizmente, os Negativland gostavam tanto de quebrar as regras dos outros quanto as suas e “Christianity Is Stupid” arruma o assunto informando “Christianity is stupid. Communism is good”. Com uma paixão por gravações caseiras, colagens e utilização das fontes vocais mais bizarras possível, o álbum relembra um boletim radiofónico emitido a partir de uma ala psiquiátrica. O grupo nunca conquistou mais do que um devotado culto – e um processo judicial dos U2 –, mas os amigos dispostos a colaborar em Escape From Noise (Mark Mothersbaugh, Jello Biafra, Jerry Garcia, Residents, etc.) comprovam o respeito alcançado entre quem não receia pisar o risco da aceitação popular. Em “Michael Jackson” listam uma série de figuras pop (Tina Turner, Billy Idol, Rolling Stones, Prince, etc.), terminando com o apelo a um julgamento através do fogo sagrado.
Tudo contra a destruição do rock, claro. Mas a banda superou-se a si própria quando, impedida de partir em digressão por motivos financeiros e sedenta de visibilidade, produziu um comunicado de imprensa insinuando que um brutal parricídio perpetrado por um jovem de 16 anos tinha sido inspirado por “Christianity Is Stupid”. Acontece que David Brom não tinha nenhum disco do grupo, e só na persecutória histeria que se seguiu é que os Negativland aprenderam que os jornalistas não têm por hábito verificar os factos. Uma década mais tarde, People Like Us, Stock, Hausen & Walkman ou V/VM mostravam ter aprendido a lição.
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