Tinha a banda de Jim James escapado às comparações com os Red House Painters e eis que indústria e imprensa logo trataram de lhe cortar as asas.
Alinhados à força com o ressurgimento do rock inspirado pelo que no Sul dos EUA – ao lado dos Kings of Leon – era a herança dos Allman Brothers, Lynyrd Skynyrd ou Marshall Tucker Band, os My Morning Jacket foram promovidos como os novos Black Crowes quando pouco tinham de Rolling Stones e menos ainda de Creedence Clearwater Revival – soavam mais ao que poderiam ter feito os Galaxie 500 se a sua principal influência fosse Neil Young em vez de Velvet Underground.
Mas ainda assim, It Still Moves chegava vingativamente disposto a deixar para trás qualquer referência.
Absorvente como a melhor prosa de Cormac McCarthy e mergulhado no fascínio pela reverberação, ultrapassa os 70 minutos sem nunca perder sentido do essencial, ainda que abra espaço para citar os Yes por volta de 1972 ou sugerir que em tempos mais indulgentes se pudesse tornar no álbum do ano dos Deadheads.
Nessa circular tendência épica de levar uma canção ao limite e em simultaneo revelar a sua possibilidade mais atmosférica, o álbum funciona alegoricamente nas raízes de um género demasiado dependente dos seus arquétipos e, no limite, promove uma transgressora visão pronta a incluir o que pelas margens da história, por esquecimento (Ozark Mountain Daredevils) ou despeito (Eagles), vai pela crítica sendo deixado.
Para comentar este artista é preciso registar-se primeiro.
Não existem comentários. Sê o primeiro a deixar um comentário.