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My Bloody Valentine

447
Formação
1984, Dublin, Ireland
Site Oficial
Sem site oficial
Estilo
Alternative Rock, Post-punk, Noise Pop, Dream Pop
Membros da Banda
Kevin Shields Bilinda Butcher Debbie Googe Colm O'Ciosoig
Assista-se a uma ópera sem recurso a libretto ou tradução simultânea e nem sempre se perceberá bem o que é dito, ainda que não se ande longe de captar o essencial. Com equivalente impulso, Kevin Shields, Com O’Ciosoig, Bilinda Butcher e Debbie Googe criaram algo que pôs os joelhos da crítica a tremer.

Assista-se a uma ópera sem recurso a libretto ou tradução simultânea e nem sempre se perceberá bem o que é dito, ainda que não se ande longe de captar o essencial. Com equivalente impulso, Kevin Shields, Com O’Ciosoig, Bilinda Butcher e Debbie Googe criaram algo que pôs os joelhos da crítica a tremer. Pior: muitos não recuperaram ainda hoje do choque e continuam a limpar o suor e lágrimas deixados por Loveless implorando novo tomo. Bastou para sustentar um género, o shoegaze, e é certo que em nova audição espanta por distorcer as melodias até ao ponto em que ainda não se parece com nada do que estava para trás – do mais sombrio nos Jesus And Mary Chain ao mais reverberantemente imagético nos Cocteau Twins. É como um disco conceptual sem conceito identificável ou um filme épico sem herói. Mais uma sinfonia ou uma banda sonora do que um álbum pop convencional. Como ninguém do grupo quis ajudar, a interpretação permanece em aberto: enquanto uns gritam sensualidade e outros respondem niilismo, há quem aponte o dedo às drogas. Quem se deu ao trabalho de analisar os seus temas ao pormenor, de auscultadores, tentando apanhar as letras, sabe que Loveless não se rende com tanta facilidade. Requer menos capacidades analíticas do que a suspensão de descrença necessária ao entrarmos numa grande obra de ficção. Parte da lenda é ter conduzido a Creation à falência ou o registo de 18 engenheiros de som em estúdio, mas apreciá-lo como um bom filme com diálogos frequentemente irrelevantes – e Sofia Coppola estendeu a mão a Shields para Lost In Translation (O Amor É um Lugar Estranho) – permanece boa opção.

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