No início de carreira dos Motörhead, o New Musical Express chamou-lhes “pior banda de sempre” – o que provavelmente diz mais sobre as ambições da publicação do que sobre o grupo. Os Motörhead, já se sabe, estão contra-indicados para estômagos sensíveis, mas num tempo em constante adaptação a um aumento de velocidade, intensidade e agressividade na música, foram dos poucos a querer mais, e mais depressa. Indissociáveis do imaginário Hells Angels, viveram apaixonados pelos EUA (onde ironicamente nunca foram muito apreciados), fascinados pelas auto-estradas sem fim e pelo imaginário do Oeste, em que os homens têm barba rija e as mulheres são todas inocentes raparigas de 16 anos. O cabecilha do gang era Lemmy, que, como muitos outros músicos de heavy metal, prova que religião a mais na infância dá rock pesado na vida adulta. Filho de um vigário, parecia estar com a carreira feita quando foi acolhido nos Hawkwind, mas foi despedido passados quatro anos. Nos Motörhead dispensou a experimentação pouco viril de tendências progressivas e dedicou-se a
um concertado ataque de guitarras com um ritmo tão frenético quanto o melhor punk. Ace Of
Spades chegou ao quarto lugar da tabela de vendas britânica e Lars Ulrich disse em 95 que, sem Lemmy e os Motörhead, nunca teriam existido os Metallica. Qualquer um que pela década de 80 tenha repetido que a vida é como um jogo de cartas, que não tem medo de morrer, que o
orgulho mata ou que só precisa de mais uma bebida para o caminho, estava apenas a repetir
as suas letras.
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