Quando Moby Grape saiu, deu-se uma espécie de encolher de ombros colectivo: era bom, mas… os Grateful Dead levavam a improvisação ao limite temporal e até Frank Zappa tirava estranhos ruídos de teclados em fase experimental. Além de que a distorção nas guitarras era coisa de rock’n’roll primitivo. Tudo porque ninguém esperaria que de uma banda apressadamente promovida viessem canções capazes de alterar o rumo da época. Mas vieram. Canções boas; canções excelentes, com raízes no country-rock, no bluegrass e com ouvido nos Beatles e Rolling Stones. Perversamente, uma exagerada insistência da Columbia não ajudou – e o simultâneo lançamento de cinco singles gerou indignação nos círculos contraculturais de São Francisco. Tudo muito irónico quando se considera que Skip Spence vinha do grupo mais querido da cidade – os Jefferson Airplane – e tinha em boa hora trocado a bateria pela guitarra. Seja como for, mostram em “Someday” que eram tão bons quanto os Byrds. E se no papel os cinquenta segundos de “Naked If I Want To” parecem piada, no ouvido nem por isso – o álbum é, aliás, exemplarmente conciso. Entre o hino psicadélico de “Omaha”, o roadhouse-rock de “Hey, Grandma” ou “Fall On You” e a deliciosa balada “8:05”, pronta a acompanhar diariamente o pôr do Sol californiano, prova-se ainda hoje digno de um estatuto que, em 67, por entre apreensões de droga e acusações de corrupção de menores, lhe escapou. Algures num bar de beira de estrada, os Creedence estavam à escuta. Mas foi de mais para Spence. Após visita forçada a Bellevue, em 69, foi cantar com os demónios em Oar.
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