Produzido como quem quer ilustrar a kantiana interpretação de dialéctica enquanto lógica da aparência, o álbum pegava em Yerself Is Steam ou Boces e retirava-lhes, uma a uma, as mais nebulosas e narcóticas camadas dos seus constituintes psicadélicos.
Com Jonathan Donahue a ocupar o papel de David Baker, o resultado é mais subtil mas não menos opiáceo.
Aparentemente inspirado nas acusações de deserção apontadas por altura de The Last Waltz a dois dos seus convidados (Levon Helm e Garth Hudson, dos The Band), é a elegia ideal para quem mais do que uma vez esteve à beira da autodestruição.
Etéreo nos arranjos, cândido nas vocalizações, aplica a minúcia de Brian Wilson à escala dos Pink Floyd mais monumentais e subsiste até hoje como uma caixa-de-música para a geração pós-rave.
Na obsessiva utilização das palavras “Stream”, “Dream” e “Scream” encontra-se parte do seu significado. Nas constantes referências em entrevistas a William S. Burroughs está a restante.
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